Eleições reforçam caixa das gráficas gaúchas

Notícias: Geral

14/10/2020 17:03

No setor gráfico, as empresas estão com atenção voltada às campanhas eleitorais para auxiliar na retomada dos seus negócios. Ao mesmo tempo em que os empresários colocam em prática os planos para fortalecerem as gráficas, enfrentam elevação dos custos de produção. Confira matéria completa realizada pelo Jornal do Comércio.


Por Marcelo Beledeli

O período eleitoral traz um reforço bem-vindo para o setor gráfico gaúcho. Com os negócios impactados pelos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19, as gráficas aproveitam a demanda gerada pelas campanhas dos candidatos a prefeito e vereador para recuperar perdas sofridas durante o ano.

Antes da pandemia, segundo o Sindicato da Indústria Gráfica no Rio Grande do Sul (Sindigraf/RS), existiam cerca de 2100 empresas gráficas cadastradas nos três sindicatos patronais do setor no Estado (Sindigraf/RS, Singraf de Caxias do Sul e Singrapel de Pelotas), e pelo menos 500 não associadas às entidades. Mas esse número foi afetado pelos efeitos da redução da crise econômica. “Acreditamos que atualmente tenhamos cerca de 1800 gráficas em atividade”, afirma Roque Noschang, presidente do Sindigraf/RS.

De acordo com Noschang, no início da pandemia, a produção e o faturamento no setor gráfico em geral caiu entre 80% e 90%. Dentre os produtos, o segmento promocional, que representa próximo de 50% das gráficas gaúchas, foi o que mais sofreu com a pandemia, segundo o dirigente do Sindigraf/RS. O principal motivo foi o cancelamento de eventos sociais, festas, formaturas, casamentos, shows, seminários e congressos, entre outros. Já os segmentos de rótulos e embalagens foi menos impactado. “Creio que o material de política vá ajudar sim a recuperar um pouco do que o setor perdeu no período mais acentuado da pandemia”, afirma.

Um exemplo é a ANS Gráfica, do bairro Farrapos, em Porto Alegre. Em abril, o resultado da empresa foi drasticamente prejudicado pela pandemia, com uma queda de 60% no número de pedidos. Em consequência disso, a gráfica precisou realizar ajustes no seu quadro de funcionários e fazer uso das medidas provisórias do governo federal para a preservação de empregos.

De lá pra cá, o fluxo de pedidos vem aumentando gradualmente. Em setembro, o site da ANS concluiu seu faturamento com 80% do número de pedidos em comparação ao mesmo período de 2019. Até o momento, a gráfica possui pedidos para cerca de 160 candidatos a prefeito e vereadores. A expectativa é que, em outubro, as eleições gerem um incremento de mais de 30% no fluxo de produção.

Para a direção da ANS, o faturamento extra não será suficiente para compensar as perdas geradas pela pandemia, mas certamente irá minimizar muito os seus impactos. No último mês, a empresa já recontratou alguns antigos funcionários e abriu novos postos de trabalho em função da demanda adicional gerada pelas eleições 2020. Atualmente, a gráfica atua com 110 colaboradores.

Na gráfica Comunicação Impressa, do bairro Floresta, em Porto Alegre, as eleições deverão criar um acréscimo sazonal importante nos negócios. Segundo José Mazzarollo, diretor da empresa, os materiais de campanha representam cerca de 15% do faturamento durante o período eleitoral.

“Durante a pandemia passamos três meses com a demanda extremamente reduzida”, lembra Mazzarollo. “O mercado começou a melhorar em julho, quando voltou a crescer a venda de embalagens, especialmente para artigos de alimentação, e chamamos funcionários de volta”, afirma o diretor da Comunicação Impressa.


Setor enfrenta desafios de mercado

Apesar do acréscimo no faturamento gerado pelo período eleitoral, as gráficas vêm sentindo dificuldades crescentes a esse tipo de negócio, devido às restrições impostas às campanhas eleitorais, acentuadas a cada eleição. Em 2020, com a pandemia, os desafios são ainda mais intensos, afirma Roque Noschang, presidente do Sindigraf/RS. “Tanto o curto período de campanha, como a proibição de eventos públicos, como comícios, faz com que o material impresso seja ainda mais reduzido”, afirma o dirigente.

Outro problema apontado por Noschang é elevação dos custos de produção, que afetam o caixa das empresas. “Com a alta do dólar e as dificuldades na importação de materiais devido à pandemia, os custo dos insumos, como papel, tintas, chapas, entre outros, aumentaram muito”, destaca. Segundo o dirigente do Sindigraf/RS, alguns itens inclusive estão em falta no mercado, como o adesivo perfurado.

“O início da campanha eleitoral colocou em evidencia outra crise que, atualmente, assola a indústria gráfica, a falta de matéria prima”, destaca Anderson Santos, diretor administrativo da ANS Gráfica. De acordo com o empresário, a redução de consumo gerada pela pandemia, fez com que a maioria dos fornecedores dos materiais de impressão reduzisse drasticamente o volume de seus estoques. Por isso, Santos não sabe se terá matéria prima suficiente para suprir a demanda gerada pelas eleições até o final do período eleitoral. Como o tempo de produção de matérias primas como o papel e o papelão, são longos, o empresário acredita que o fornecimento de substratos para a indústria gráfica não deve ser normalizado em 2020.

Além disso, o setor vem enfrentando o crescimento das campanhas pelas redes sociais, que tiram o espaço de investimentos de candidatos nos anúncios tradicionais - um fator que vem afetando as operações. “A cada ano de campanha cai mais ainda o faturamento, e há menos gráficas produzindo material de propaganda eleitoral”, afirma Noschang, do Sindigraf/RS.

No entanto, para algumas empresas, a tecnologia tem sido uma aliada. Pioneira na venda de impressos via internet no Estado, a ANS criou uma “vaquinha” para que os candidatos possam imprimir os materiais de divulgação da sua campanha de forma gratuita. Isso é possível porque a resolução do TSE de Nº 23607 permite que os apoiadores (pessoa física) possam comprar materiais de campanha para os seus candidatos favoritos com o valor inferior a R$ 1.064,10 sem precisar declarar a transação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato também não precisa declarar o material de campanha comprado por seus apoiadores através desse sistema. “A inovação é uma das principais características da empresa, por isso estamos sempre buscando alternativas novas para resolver os problemas antigos de nossos clientes”, diz Alex Santos, diretor industrial da ANS.

Ao se cadastrarem no portal www.vaquinhagraficaeleicoes.com.br, os candidatos podem criar uma lista de compras com os materiais gráficos necessários para a divulgação da sua campanha política. Depois disso, o candidato pode compartilhar o link da sua página personalizada dentro do portal com os simpatizantes das suas propostas de campanha. As pessoas interessadas em apoiar o candidato podem acessar esse link e escolher os materiais gráficos que desejam comprar para a campanha do seu candidato preterido, respeitando o limite de compra. Os pedidos serão entregues diretamente em um dos balcões de retirada espalhados por todas as cidades do Estado e escolhido, previamente, pelo candidato.

Fonte: Jornal do Comércio

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